Saúde


Além do verão, outra estação que pede cuidados com a pele é o inverno. Mesmo nas épocas mais frias, hidratar a pele é fundamental. Nessa época, é comum que ela apresente áreas ressecadas e com rachaduras. Assim, a maior preocupação que se deve ter durante o inverno é em hidratar a epiderme, a camada mais superficial da pele.

Por isso, o uso do filtro solar é importante, em qualquer época do ano. O seu uso evita queimaduras, manchas e danos às células da pele, que podem ocasionar cânceres, além do envelhecimento precoce com o surgimento de rugas, perda da elasticidade e o aumento da espessura da pele. O produto oferece proteção tanto à radiação UVB, que pode causar queimaduras solares, quanto para a UVA, que causa efeitos danosos à parte mais profunda da pele a longo prazo.

A coordenadora de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Maria Aparecida de Faria Grossi, esclarece que o protetor solar não protege a pele do calor do sol, mas sim, da luz emitida por ele. “O filtro oferece proteção às pessoas dos malefícios que o excesso de exposição ao sol pode ocasionar. Como em nosso país há sol durante todo o ano, é de extrema relevância que a população se conscientize da importância do uso do filtro solar”, enfatiza.

No inverno, apesar da temperatura ser baixa, o ultra-violeta do sol é às vezes até mais forte do que no verão, porque são dias normalmente muito claros, sem as nuvens no céu que vemos no verão e que normalmente filtram os raios solares. Um exemplo típico é de pessoas que queimam muito quando vão esquiar na neve. Para isso, é fundamental o uso de camadas fartas de filtros solares, que devem ser reaplicados durante o dia.

Um termo muito usado ao se falar em filtro solar é o Fator de Proteção Solar (FPS), uma medida de laboratório que indica a efetividade do produto. Quanto maior o valor do FPS, mais proteção o filtro solar oferece contra raios ultravioleta. Por exemplo, uma pessoa que se queimaria após 12 minutos de exposição ao sol, ao usar filtro solar de FPS 10, levará 120 minutos, ou 10 vezes mais tempo para se queimar.

Aparecida Grossi também lembra que o uso do filtro solar não impede a transformação da vitamina D, necessária para a fixação do cálcio nos ossos, no tratamento da osteoporose. “A exposição deve ser feita com o uso do filtro juntamente com a prática de atividades físicas aeróbicas, ao ar livre, como caminhadas, natação, entre outras. Ao passar o produto, muitas pessoas ficam preocupadas que isso vá atrapalhar o processo de calcificação dos ossos, para a qual a exposição ao sol é fundamental. Porém, isso não é verdade”, destaca.

Em geral, aconselha-se o uso de filtros com FPS 15 ou acima deste fator em todo o corpo, incluindo partes muitas vezes esquecidas, como orelhas e pés. A aplicação deve ser feita em duas camadas consecutivas, cerca de 20 a 30 minutos antes de se expor ao sol ou chegar à praia ou à piscina. A aplicação do filtro solar deve ser repetida a cada duas horas ou após ter se molhado ou suado intensamente.

Na prática, a proteção de um filtro solar depende de fatores, como o tipo de pele (cor) da pessoa, da quantidade que é aplicada e absorvida pela pele, da freqüência de reaplicação e das atividades que ela realiza. Nadar, por exemplo, leva a uma perda mais rápida de filtro da pele.

Cuidados especiais

Ficar exposto muito tempo embaixo da água quente durante o inverno é muito comum, mas o calor da água resseca a pele e exige ainda mais hidratação. O mecanismo de hidratação natural da pele é feito pela epiderme, que impede a perda de líquido. Essa proteção é formada por lipídeos (gorduras) e proteínas e, quando é removida pela ação de sabonetes alcalinos e água quente, pode fazer com que a pele desidrate. Juntamente com a desidratação podem surgir coceiras, vermelhidão, sensação de aspereza e até infecções na pele. O mais indicado é iniciar o banho com a água a uma temperatura um pouco mais fria, entre 25 e 30º Celsius.

A professora Margareth, 50, lembra que no inverno, além da pele extremamente ressecada, sente muita coceira nas pernas. “Todo inverno hidrato bem a minha pele, pois com o ressecamento coça muito e chega a ferir. Já usei diversos cremes e passei a tomar banhos mais rápidos, mas só com acompanhamento de um dermatologista o problema foi resolvido”, informa.

Um cuidado importante está relacionado ao banho que, mesmo no frio, não deve ser muito quente. “A alta temperatura da água remove a proteção natural da pele, diminuindo a sua hidratação. Os banhos devem ser rápidos, a temperatura da água moderada, usando pouco sabonete e evitando o uso de bucha”, afirma a dermatologista e referência técnica da Coordenação de Dermatologia Sanitária da SES, Ana Regina Coelho de Andrade. Para ela, essas pequenas medidas evitam que a pele se resseque, fique áspera e, muitas vezes, irritada, principalmente durante o inverno, quando a umidade do ar é muito baixa.

De acordo com a dermatologista, as partes do corpo mais atingidas pelo ressecamento são as que possuem maior exposição ao frio, como o rosto, pernas, braços e mãos. “Este é um problema comum em homens e mulheres e se agrava com o passar dos anos, quando a pele fica mais fina, perde a elasticidade, há diminuição do manto lipídico e, conseqüentemente, menor retenção da água nas superfícies mais externas da pele”, finaliza.

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